As esperanças portuguesas numa medalha no Mundial de Berlim estavam todas centradas em Nelson Évora. E, mesmo não tendo revalidado o título mundial no triplo salto (o que seria inédito nesta disciplina), o atleta português conquistou a prata e esteve ao seu nível, mostrando que é um dos melhores do mundo, como aliás, tem vindo a provar nestes últimos dois anos - ouro em Osaca e Pequim.
Acredito que os portugueses - e o próprio Évora - esperassem uma medalha de ouro. Era legítimo, aliás, esse desejo de ambas as partes tendo em conta o historial recente do saltador. Mas o 2.º lugar foi uma excelente classificação, assim como Phillips Idowu foi um justo vencedor e há-que admití-lo. O britânico fez uma marca fantástica (17.73 metros) e apenas o recorde pessoal do português (17.74, em Osaca) chegaria para levar o ouro. Nem com a marca de Pequim, de 17.67 metros, Nelson Évora teria ganho a Idowu.
A final de Berlim, provou, se é que tal era necessário, que Nelson Évora e Idowu são definitivamente os dois melhores saltadores do mundo. E aqui o português leva vantagem, pois é 5 anos mais novo que o campeão mundial (30 anos). Ou seja, o futuro pertence a Évora e o título mundial voltará para o português, salvo qualquer contra-tempo. Não há, por isso, qualquer razão para esmorecimentos ou desilusões. O nosso saltador voltará, em breve, à rota das vitórias.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Lightning Bolt
A final dos 100 metros do Mundial de Atletismo, em Berlim, deixou no ar uma pergunta: até onde poderão ir os limites humanos? Desde que Jim Hines correu a distância abaixo dos 10 segundos pela primeira vez na história (1968), nunca o máximo mundial sofreu uma alteração tão acentuada como agora.
Usain Bolt, o jamaicano voador, tirou 16 centésimos ao recorde do mundo em apenas 15 meses, desde que bateu a marca do compatriota Asafa Powell (9,74) até domingo, onde fixou o novo máximo mundial nuns fantásticos 9,58 s. Impressiona a facilidade com que Bolt pulveriza recordes. Se nos Jogos Olímpicos de Pequim já escandalizou meio mundo ao tornar-se o primeiro a baixar os 9,70 s (e na parte final da corrida já estava mais preocupado em festejar), que dizer da sua performance em Berlim?
Uma coisa é certa: Lightning Bolt não vai ficar por aqui. Mal terminou a final, ficou no ar a sensação que de, se quissesse, o jamaicano poderia ter retirado mais uns centésimos ao recorde. O próprio já avisou que pode chegar aos 9,40. Embora pareça uma marca estratosférica, a verdade é que Bolt tem somente 22 anos e se não chegar lá será por muito pouco. A idade e as qualidades físicas ímpares (1,96 m) jogam a seu favor.
Pode pensar-se que Bolt não tem concorrência à altura, visto ser o campeão olímpico e mundial dos 100 e 200 metros (ambos com recorde). Mas é exatamente o contrário. A corrida de domingo foi a melhor da história dos 100 metros. O grande rival Tyson Gay, embora a grande distânica de Bolt, fez "apenas" a terceira melhor marca de sempre e bateu o recorde nacional dos EUA - 9,71 s. O próprio Powell fez 9,84.
Depois das duas finais de Pequim e Berlim, fica a sensação de que o velocista, ao ver que não tem rival à altura nos últimos metros, opta por deixar no ar a ideia de que ainda pode fazer melhor. E a verdade é que pode e irá continuar a bater o recorde do mundo.
Usain Bolt, o jamaicano voador, tirou 16 centésimos ao recorde do mundo em apenas 15 meses, desde que bateu a marca do compatriota Asafa Powell (9,74) até domingo, onde fixou o novo máximo mundial nuns fantásticos 9,58 s. Impressiona a facilidade com que Bolt pulveriza recordes. Se nos Jogos Olímpicos de Pequim já escandalizou meio mundo ao tornar-se o primeiro a baixar os 9,70 s (e na parte final da corrida já estava mais preocupado em festejar), que dizer da sua performance em Berlim?
Uma coisa é certa: Lightning Bolt não vai ficar por aqui. Mal terminou a final, ficou no ar a sensação que de, se quissesse, o jamaicano poderia ter retirado mais uns centésimos ao recorde. O próprio já avisou que pode chegar aos 9,40. Embora pareça uma marca estratosférica, a verdade é que Bolt tem somente 22 anos e se não chegar lá será por muito pouco. A idade e as qualidades físicas ímpares (1,96 m) jogam a seu favor.
Pode pensar-se que Bolt não tem concorrência à altura, visto ser o campeão olímpico e mundial dos 100 e 200 metros (ambos com recorde). Mas é exatamente o contrário. A corrida de domingo foi a melhor da história dos 100 metros. O grande rival Tyson Gay, embora a grande distânica de Bolt, fez "apenas" a terceira melhor marca de sempre e bateu o recorde nacional dos EUA - 9,71 s. O próprio Powell fez 9,84.
Depois das duas finais de Pequim e Berlim, fica a sensação de que o velocista, ao ver que não tem rival à altura nos últimos metros, opta por deixar no ar a ideia de que ainda pode fazer melhor. E a verdade é que pode e irá continuar a bater o recorde do mundo.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Fantochada em Roma
Quem assistiu ao recente mundial de natação, que se realizou em Roma, com certeza não ficou indiferente ao exorbitante número de recordes mundiais (43) que foram batidos em cerca de uma semana. A dada altura era cada tiro, cada melro, que é como quem diz, tinhamos novos máximos absolutos a cada prova disputada.
Michal Phelps, Ryan Lochte, Aaron Peirsol, Cielo Filho, Federica Pellegrini, Britta Steffen, entre outros...com tantos astros das piscinas que passaram pelo Foro Itálico não seria de admirar que assistíssemos à queda de muitos recordes como, aliás, já tinha acontecido nos Jogos Olímpicos de Pequim, ainda que em quantidade razoável.
O problema foi quando, há cerca de dois anos, resolveu aparecer um tal de poliuretano que quis ocupar o trono da modalidade. Essa substância que reveste os fatos dos nadadores foi, sem dúvida, decisiva para a farsa a que assistimos em Roma. Não tem outro nome. Para dar um exemplo, basta ver que a edição com maior número de recordes mundiais foi em 1973, com 16. Foi quase o triplo dos recordes em 2009. E, ou muito me engano, ou seria demasiada coincidência que tal tenha acontecido apenas no primeiro mundial em que os fatos de poliuretano foram utilizados.
Não quero com isto retirar mérito absolutamente algum aos nadadores que se exibiram em Roma com estes tecidos -e que até foram bastantes. Estiveram presentes, nesta competição, atletas fantásticos, alguns pertencentes à galeria dos melhores de sempre. O mérito também é em grande parte deles. Mas quando são os próprios a admitir que os fatos lhes permitem uma maior flutuabilidade dentro de água então está tudo dito. Bem, não para a FINA, que permitiu que esta fantochada fosse para a frente.
A federação internacional de natação já fez questão de dizer que estes fatos serão banidos em Janeiro de 2010. Muito bem, concordo. Então e o que fazer com os recordes que se bateram em Roma, a maior parte deles com recurso a esta "poção mágica"? Decisão complicada:
Anulá-los, como foi feito com o recorde de Alain Bernard nos 100 metros livres antes do Mundial? Ou tapar os olhos e fazer de conta que nada se passou? Seja qual for a decisão, nunca será salomónica. Retirar todos esses máximos será desrespeitar o esforço dos atletas que estiveram em Roma e deram o seu máximo. Mantê-los será como que deixar para sempre no ar que esta edição foi uma farsa e uma anormalidade, visto que dificilmente vamos voltar a assistir a um show de recordes deste género. Em Janeiro estarei cá para ver...
No meio disto tudo ainda há espaço para fazer referencia a Phelps (sem fato...). O "Tubarão de Baltimore", depois de 6 meses sem competir, ainda foi a tempo de levar para casa 5 medalhas de ouro e uma de prata. Como dizia um jornal brasileiro, "um Phelps fora de forma conquista 6 medalhas". Imaginem se estivesse em forma então...
Michal Phelps, Ryan Lochte, Aaron Peirsol, Cielo Filho, Federica Pellegrini, Britta Steffen, entre outros...com tantos astros das piscinas que passaram pelo Foro Itálico não seria de admirar que assistíssemos à queda de muitos recordes como, aliás, já tinha acontecido nos Jogos Olímpicos de Pequim, ainda que em quantidade razoável.
O problema foi quando, há cerca de dois anos, resolveu aparecer um tal de poliuretano que quis ocupar o trono da modalidade. Essa substância que reveste os fatos dos nadadores foi, sem dúvida, decisiva para a farsa a que assistimos em Roma. Não tem outro nome. Para dar um exemplo, basta ver que a edição com maior número de recordes mundiais foi em 1973, com 16. Foi quase o triplo dos recordes em 2009. E, ou muito me engano, ou seria demasiada coincidência que tal tenha acontecido apenas no primeiro mundial em que os fatos de poliuretano foram utilizados.
Não quero com isto retirar mérito absolutamente algum aos nadadores que se exibiram em Roma com estes tecidos -e que até foram bastantes. Estiveram presentes, nesta competição, atletas fantásticos, alguns pertencentes à galeria dos melhores de sempre. O mérito também é em grande parte deles. Mas quando são os próprios a admitir que os fatos lhes permitem uma maior flutuabilidade dentro de água então está tudo dito. Bem, não para a FINA, que permitiu que esta fantochada fosse para a frente.
A federação internacional de natação já fez questão de dizer que estes fatos serão banidos em Janeiro de 2010. Muito bem, concordo. Então e o que fazer com os recordes que se bateram em Roma, a maior parte deles com recurso a esta "poção mágica"? Decisão complicada:
Anulá-los, como foi feito com o recorde de Alain Bernard nos 100 metros livres antes do Mundial? Ou tapar os olhos e fazer de conta que nada se passou? Seja qual for a decisão, nunca será salomónica. Retirar todos esses máximos será desrespeitar o esforço dos atletas que estiveram em Roma e deram o seu máximo. Mantê-los será como que deixar para sempre no ar que esta edição foi uma farsa e uma anormalidade, visto que dificilmente vamos voltar a assistir a um show de recordes deste género. Em Janeiro estarei cá para ver...
No meio disto tudo ainda há espaço para fazer referencia a Phelps (sem fato...). O "Tubarão de Baltimore", depois de 6 meses sem competir, ainda foi a tempo de levar para casa 5 medalhas de ouro e uma de prata. Como dizia um jornal brasileiro, "um Phelps fora de forma conquista 6 medalhas". Imaginem se estivesse em forma então...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
O Rei não morreu
O adeus de um ídolo que nos últimos tempos parecia caído em desgraça e até desligado de algum público musical tem agora um efeito inverso avassalador: se for ao Youtube e visualizar o épico “Thriller” vai ver que os comentários chegam separados por meros…3 segundos!! Os vídeos póstumos são criados em catadupa e de seguida comentados por saudosos e destroçados fãs.
Michael Jackson esteve arredado dos palcos mas isso não lhe custou nem um décimo dos seguidores que hoje fizeram questão de dizer “presente”. Amanhã será tema de conversa em todos os lados e serão recordadas a sua voz fenomenal, os maravilhosos passos de dança e o seu característico e incontornável “moonwalk”.
Os mitos são imprevisíveis. Infelizmente, a pouco tempo de voltar aos palcos, o destino preparou a Michael Jackson a pior surpresa que se pode receber. Mas nomes como o cantor afro-americano e, recentemente, Paul Newman não morrem. Perduram para toda a eternidade. Alguém se vai esquecer daquela dança conjunta com Zombies em “Thriller”?
Michael Jackson esteve arredado dos palcos mas isso não lhe custou nem um décimo dos seguidores que hoje fizeram questão de dizer “presente”. Amanhã será tema de conversa em todos os lados e serão recordadas a sua voz fenomenal, os maravilhosos passos de dança e o seu característico e incontornável “moonwalk”.
Os mitos são imprevisíveis. Infelizmente, a pouco tempo de voltar aos palcos, o destino preparou a Michael Jackson a pior surpresa que se pode receber. Mas nomes como o cantor afro-americano e, recentemente, Paul Newman não morrem. Perduram para toda a eternidade. Alguém se vai esquecer daquela dança conjunta com Zombies em “Thriller”?
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Batata quente nas mãos da FIA
A crise (não propriamente a financeira, embora também tenha influência nesta) está definitivamente instalada na Fórmula 1. A FIA, que organiza o Campeonato do Mundo da modalidade, não abdica dos seus princípios que é, como quem diz, de um tecto orçamental para as escuderias que vão participar na próxima edição da Fórmula 1: 45 milhões de euros para salários e liberdade técnica ou tecto orçamental para o desenvolvimento do carro e liberdade de salários. A FOTA, a associação das equipas da Fórmula 1, não aceitou nenhuma destas condições, nem mesmo o limite orçamental de 100 milhões que o patrão da FIA propôs, e vai avançar com um campeonato paralelo, o que ao mesmo tempo significa concorrência para a entidade regulador do desporto automóvel. Já ouvi amantes da modalidade dizerem que os tectos orçamentais são positivos e necessários, na medida em que vão possibilitar o regresso de equipas míticas e dar mais possibilidades às escuderias menos poderosas do ponto de vista económico. Portanto, traria mais competitividade aos Grandes Prémios. Outros dizem que a F1 é o campeonato das equipas de elite e que os tectos orçamentais iriam arruinar o espírito da Fórmula 1. Por outro lado, os argumentos da Federação Internacional de Automobilismo, para quem é necessário conter os gastos em tempo de crise e daí a imposição de um tecto orçamental, dão também o reverso da medalha. Sinceramente, não sei quem terá razão neste imbróglio. Mas numa coisa não tenho dúvidas: a F1 vai passar pior se vir, efectivamente, 8 equipas da FOTA avançaram para um campeonato paralelo, do que passaria se permitisse “livre” contenção de gastos às equipas. Se analisarmos bem, as escuderias “desertoras” são só a Ferrari, a McLaren, BMW, Renault, Brawn GP, Toro Rosso, Red Bull e Toyota. Das principais, fica apenas a Williams na competição da FIA. As grandes estrelas, Button, Hamilton e outros, não vão abandonar as suas equipas, mesmo que estas abandonem a F1. Não faz sentido, até porque são as melhores e num campeonato concorrencial não têm limite salarial. E, acima de tudo, continuam a competir com os melhores.
domingo, 7 de junho de 2009
Super atleta tem limites
A final de Roland Garros deste ano reservou uma meia surpresa. E acabou por ser do lado de quem menos se esperava. A eliminação de Nadal na 3º ronda, apesar de chocante, tem explicações. O número um mundial tem sido sujeito a um esforço tremendo, fruto do seu estilo de jogo mais “pesado” e que exige uma enorme disponibilidade física. A derrota no Torneio de Hamburgo, se não estou em erro, com Federer já podia servir de indício, depois de uma meia-final desgastante. Nadal não vai cair com a sua primeira derrota de sempre em Roland Garros, mas viu-se que aquele super-atleta tem limites. Por outro lado, também há que dar mérito a Soderling, que confirmou depois que a vitória sobre o espanhol não foi obra do acaso. Eliminar González também não é para todos. Quem saiu a rir (hoje se verá se tinha razão) foi Federer que, sem a sua besta negra pela frente, tem a possibilidade de igualar Sampras. “Fedexpress”, que já confessou o seu nervosismo antes dos jogos, é favorito mas…vai ter de suar frente a um adversário motivadíssimo. É a grande oportunidade para o suíço vencer o open de Paris, visto que para o ano Nadal deverá estar de volta à final do seu torneio de eleição
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Maior proeza...so far
Fantástico! Michelle surpreendeu tudo e todos ontem, ao eliminar a 15º do ranking, tornando-se a primeira tenista portuguesa a jogar a 3º ronda de um Grand Slam. No início de Roland Garros, Michelle já era a tenista lusa mais jovem de sempre a disputar um dos quatro torneio principais do circuito, superando os 18 anos que Nuno Marques tinha quando disputou o US Open. Depois de uma performance no Estoril Open que, mesmo com vitória épica na 2º ronda do qualifyng, acabou por ser criticada, a menina-prodígio fez ontem o melhor resultado da sua carreira e um dos melhores de sempre do ténis português. Se havia dúvidas, Michelle confirmou que tem capacidade para chegar bem mais longe. Por enquanto, o top-100 espera-a. Se o nervosismo e a inexperiência já a traíram diversas vezes, a garra e a qualidade (aos 16 anos, tem uma pancada já bastante forte) que tem permitem que faça coisas como as de ontem. Amanhã, mais um duelo com Aravane Rezai, que a eliminou em Miami. Acima de tudo, que desfrute do jogo. Quando assim é, os nervos desaparecem e a qualidade vem ao de cima.
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