sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sabedoria Zen

Antes de mais, desculpas a todos aqueles que costumavam acompanhar este blog pela ausência prolongada por estas bandas. Prometo estar de regresso e para ficar.

O tempo por ora não é muito mas não queria deixar de fazer referência à façanha alcançada por um dos monstros da história do basquetebol. Phil Jackson, actual treinador dos LA Lakers, campeões em título da NBA, tornou-se o técnico mais vitorioso de sempre da turma californiana, ultrapassando Pat Riley. Ao todo, são 534 vitórias desde 1999 até hoje, com apenas um ano de interregno. É, de facto, muita fruta, mesmo para o treinador com mais sucesso na competição nos últimos 20 anos...pelo menos.

Os 10 títulos conquistados (recorde da NBA), 6 ao serviço dos Chicago Bulls e 4 pelos Lakers, não foram obra do acaso. Tão pouco podem ser desvalorizados só porque nas duas equipas alinharam dois dos melhores jogadores da história do jogo: Michael Jordan e Kobe Bryant. É que estes dois senhores bem podem agradecer ao "Master Zen" muito daquilo que foram como atletas.

Jackson teve ainda o condão de descobrir talentos onde mais ninguém o fez. Dou um exemplo concreto: Devean George foi o primeiro jogador proveniente da terceira divisão da NCAA a ser sorteado na primeira ronda do Draft, em 1999. Em pouco tempo, e após Glen Rice abandonar os Lakers, George conseguiu mesmo um lugar no 5 inicial como "Small Forward" e um papel com relativa importância numa equipa onde pontificavam, para além de Kobe, também Shaquille O'Neal.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não é deste mundo

Depois do show nos 100 metros, com a incrível marca de 9.58 segundos, Usain Bolt voltou a fazer história no Atletismo. Começam a faltar adjectivos para qualificar o jamaicano, que estabeleceu mais uma marca fantástica, agora nos 200 metros: 19.19 segundos. O velocista retirou novamente 11 centésimos ao anterior recorde, que lhe pertencia desde Pequim'2008, e deixou todos boquiabertos tal a superioridade evidenciada perante os rivais.

O ano passado, quanto pulverizou um recorde que se julgava inacessível, de Michael Johnson (19.32), caiu o carmo e a trindade. Com este novo máximo absoluto, Bolt entra definitivamente na galeria dos melhores de sempre da história do desporto. O recorde no duplo hectómetro era esperado (embora as certezas não fossem tantas devido ao cansaço do jamaicano e pelo facto de em Pequim Bolt não ter feito os últimos metros da corrida a festejar, como nos 100 metros) mas a forma como deixou os outro concorrentes para trás foi assustadora. Foi, alías, a maior vantagem de sempre na história da prova em campeonatos do mundo.

O que Bolt fez em poucos dias muito dificilmente alguém poderá fazer nos próximos anos. Ou seja, estes recordes estão aqui para durar, isto se o jamaicano deixar pois já avisou que pretende continuar nesta senda.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O futuro pertence-lhe

As esperanças portuguesas numa medalha no Mundial de Berlim estavam todas centradas em Nelson Évora. E, mesmo não tendo revalidado o título mundial no triplo salto (o que seria inédito nesta disciplina), o atleta português conquistou a prata e esteve ao seu nível, mostrando que é um dos melhores do mundo, como aliás, tem vindo a provar nestes últimos dois anos - ouro em Osaca e Pequim.

Acredito que os portugueses - e o próprio Évora - esperassem uma medalha de ouro. Era legítimo, aliás, esse desejo de ambas as partes tendo em conta o historial recente do saltador. Mas o 2.º lugar foi uma excelente classificação, assim como Phillips Idowu foi um justo vencedor e há-que admití-lo. O britânico fez uma marca fantástica (17.73 metros) e apenas o recorde pessoal do português (17.74, em Osaca) chegaria para levar o ouro. Nem com a marca de Pequim, de 17.67 metros, Nelson Évora teria ganho a Idowu.

A final de Berlim, provou, se é que tal era necessário, que Nelson Évora e Idowu são definitivamente os dois melhores saltadores do mundo. E aqui o português leva vantagem, pois é 5 anos mais novo que o campeão mundial (30 anos). Ou seja, o futuro pertence a Évora e o título mundial voltará para o português, salvo qualquer contra-tempo. Não há, por isso, qualquer razão para esmorecimentos ou desilusões. O nosso saltador voltará, em breve, à rota das vitórias.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lightning Bolt

A final dos 100 metros do Mundial de Atletismo, em Berlim, deixou no ar uma pergunta: até onde poderão ir os limites humanos? Desde que Jim Hines correu a distância abaixo dos 10 segundos pela primeira vez na história (1968), nunca o máximo mundial sofreu uma alteração tão acentuada como agora.

Usain Bolt, o jamaicano voador, tirou 16 centésimos ao recorde do mundo em apenas 15 meses, desde que bateu a marca do compatriota Asafa Powell (9,74) até domingo, onde fixou o novo máximo mundial nuns fantásticos 9,58 s. Impressiona a facilidade com que Bolt pulveriza recordes. Se nos Jogos Olímpicos de Pequim já escandalizou meio mundo ao tornar-se o primeiro a baixar os 9,70 s (e na parte final da corrida já estava mais preocupado em festejar), que dizer da sua performance em Berlim?

Uma coisa é certa: Lightning Bolt não vai ficar por aqui. Mal terminou a final, ficou no ar a sensação que de, se quissesse, o jamaicano poderia ter retirado mais uns centésimos ao recorde. O próprio já avisou que pode chegar aos 9,40. Embora pareça uma marca estratosférica, a verdade é que Bolt tem somente 22 anos e se não chegar lá será por muito pouco. A idade e as qualidades físicas ímpares (1,96 m) jogam a seu favor.

Pode pensar-se que Bolt não tem concorrência à altura, visto ser o campeão olímpico e mundial dos 100 e 200 metros (ambos com recorde). Mas é exatamente o contrário. A corrida de domingo foi a melhor da história dos 100 metros. O grande rival Tyson Gay, embora a grande distânica de Bolt, fez "apenas" a terceira melhor marca de sempre e bateu o recorde nacional dos EUA - 9,71 s. O próprio Powell fez 9,84.

Depois das duas finais de Pequim e Berlim, fica a sensação de que o velocista, ao ver que não tem rival à altura nos últimos metros, opta por deixar no ar a ideia de que ainda pode fazer melhor. E a verdade é que pode e irá continuar a bater o recorde do mundo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fantochada em Roma

Quem assistiu ao recente mundial de natação, que se realizou em Roma, com certeza não ficou indiferente ao exorbitante número de recordes mundiais (43) que foram batidos em cerca de uma semana. A dada altura era cada tiro, cada melro, que é como quem diz, tinhamos novos máximos absolutos a cada prova disputada.

Michal Phelps, Ryan Lochte, Aaron Peirsol, Cielo Filho, Federica Pellegrini, Britta Steffen, entre outros...com tantos astros das piscinas que passaram pelo Foro Itálico não seria de admirar que assistíssemos à queda de muitos recordes como, aliás, já tinha acontecido nos Jogos Olímpicos de Pequim, ainda que em quantidade razoável.

O problema foi quando, há cerca de dois anos, resolveu aparecer um tal de poliuretano que quis ocupar o trono da modalidade. Essa substância que reveste os fatos dos nadadores foi, sem dúvida, decisiva para a farsa a que assistimos em Roma. Não tem outro nome. Para dar um exemplo, basta ver que a edição com maior número de recordes mundiais foi em 1973, com 16. Foi quase o triplo dos recordes em 2009. E, ou muito me engano, ou seria demasiada coincidência que tal tenha acontecido apenas no primeiro mundial em que os fatos de poliuretano foram utilizados.

Não quero com isto retirar mérito absolutamente algum aos nadadores que se exibiram em Roma com estes tecidos -e que até foram bastantes. Estiveram presentes, nesta competição, atletas fantásticos, alguns pertencentes à galeria dos melhores de sempre. O mérito também é em grande parte deles. Mas quando são os próprios a admitir que os fatos lhes permitem uma maior flutuabilidade dentro de água então está tudo dito. Bem, não para a FINA, que permitiu que esta fantochada fosse para a frente.

A federação internacional de natação já fez questão de dizer que estes fatos serão banidos em Janeiro de 2010. Muito bem, concordo. Então e o que fazer com os recordes que se bateram em Roma, a maior parte deles com recurso a esta "poção mágica"? Decisão complicada:

Anulá-los, como foi feito com o recorde de Alain Bernard nos 100 metros livres antes do Mundial? Ou tapar os olhos e fazer de conta que nada se passou? Seja qual for a decisão, nunca será salomónica. Retirar todos esses máximos será desrespeitar o esforço dos atletas que estiveram em Roma e deram o seu máximo. Mantê-los será como que deixar para sempre no ar que esta edição foi uma farsa e uma anormalidade, visto que dificilmente vamos voltar a assistir a um show de recordes deste género. Em Janeiro estarei cá para ver...

No meio disto tudo ainda há espaço para fazer referencia a Phelps (sem fato...). O "Tubarão de Baltimore", depois de 6 meses sem competir, ainda foi a tempo de levar para casa 5 medalhas de ouro e uma de prata. Como dizia um jornal brasileiro, "um Phelps fora de forma conquista 6 medalhas". Imaginem se estivesse em forma então...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Rei não morreu

O adeus de um ídolo que nos últimos tempos parecia caído em desgraça e até desligado de algum público musical tem agora um efeito inverso avassalador: se for ao Youtube e visualizar o épico “Thriller” vai ver que os comentários chegam separados por meros…3 segundos!! Os vídeos póstumos são criados em catadupa e de seguida comentados por saudosos e destroçados fãs.
Michael Jackson esteve arredado dos palcos mas isso não lhe custou nem um décimo dos seguidores que hoje fizeram questão de dizer “presente”. Amanhã será tema de conversa em todos os lados e serão recordadas a sua voz fenomenal, os maravilhosos passos de dança e o seu característico e incontornável “moonwalk”.
Os mitos são imprevisíveis. Infelizmente, a pouco tempo de voltar aos palcos, o destino preparou a Michael Jackson a pior surpresa que se pode receber. Mas nomes como o cantor afro-americano e, recentemente, Paul Newman não morrem. Perduram para toda a eternidade. Alguém se vai esquecer daquela dança conjunta com Zombies em “Thriller”?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Batata quente nas mãos da FIA

A crise (não propriamente a financeira, embora também tenha influência nesta) está definitivamente instalada na Fórmula 1. A FIA, que organiza o Campeonato do Mundo da modalidade, não abdica dos seus princípios que é, como quem diz, de um tecto orçamental para as escuderias que vão participar na próxima edição da Fórmula 1: 45 milhões de euros para salários e liberdade técnica ou tecto orçamental para o desenvolvimento do carro e liberdade de salários. A FOTA, a associação das equipas da Fórmula 1, não aceitou nenhuma destas condições, nem mesmo o limite orçamental de 100 milhões que o patrão da FIA propôs, e vai avançar com um campeonato paralelo, o que ao mesmo tempo significa concorrência para a entidade regulador do desporto automóvel. Já ouvi amantes da modalidade dizerem que os tectos orçamentais são positivos e necessários, na medida em que vão possibilitar o regresso de equipas míticas e dar mais possibilidades às escuderias menos poderosas do ponto de vista económico. Portanto, traria mais competitividade aos Grandes Prémios. Outros dizem que a F1 é o campeonato das equipas de elite e que os tectos orçamentais iriam arruinar o espírito da Fórmula 1. Por outro lado, os argumentos da Federação Internacional de Automobilismo, para quem é necessário conter os gastos em tempo de crise e daí a imposição de um tecto orçamental, dão também o reverso da medalha. Sinceramente, não sei quem terá razão neste imbróglio. Mas numa coisa não tenho dúvidas: a F1 vai passar pior se vir, efectivamente, 8 equipas da FOTA avançaram para um campeonato paralelo, do que passaria se permitisse “livre” contenção de gastos às equipas. Se analisarmos bem, as escuderias “desertoras” são só a Ferrari, a McLaren, BMW, Renault, Brawn GP, Toro Rosso, Red Bull e Toyota. Das principais, fica apenas a Williams na competição da FIA. As grandes estrelas, Button, Hamilton e outros, não vão abandonar as suas equipas, mesmo que estas abandonem a F1. Não faz sentido, até porque são as melhores e num campeonato concorrencial não têm limite salarial. E, acima de tudo, continuam a competir com os melhores.